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Principais Exames

Colesterol Total 


É um esterol encontrado em todos os tecidos animais. Desempenha importantes funções fisiológicas, incluindo a síntese de ácidos biliares, vitamina D, hormônios esteróides e constituintes da dupla camada das membranas celulares. 

O colesterol está presente na parede intestinal, oriundo de três fontes: 
dieta, secreção biliar e intestinal e células. Alimentos de origem animal, em especial carne, gema de ovos, frutos do mar e laticínios, aumentam o aporte de colesterol na dieta. Praticamente todo o colesterol presente no intestino encontra-se na forma livre, não-esterificado. Todo o colesterol esterificado proveniente da dieta é rapidamente hidrolisado pelas esterases secretadas pelo pâncreas no intestino delgado. Cerca de 30 a 60% do colesterol da dieta e do intestino são absorvidos. 

O colesterol total apresenta-se aumentado na hipercolesterolemia primária e secundariamente na síndrome nefrótica, no hipotireoidismo, na diabetes mellitus, na cirrose biliar primária e na hipoalbuminemia. Níveis baixos podem ser encontrados na desnutrição e no hipertireoidismo. 

A doença arterial coronariana (DAC) se relaciona, em proporção direta e duplicada, com níveis de colesterol séricos. Diferentes estudos corroboram a hipótese de que cada 1% de redução dos níveis de colesterol está associado à queda de 2% de risco de DAC. 

A dosagem isolada de colesterol não necessita de jejum, que, entretanto, deve ser solicitado, visto que os valores de referência foram obtidos com jejum de 12 horas. 

Em pacientes que apresentem valores alterados em relação aos desejáveis para a idade, recomenda-se a validação com a repetição da dosagem dentro de um intervalo mínimo de 7 dias e máximo de 2 meses. 

Têm sido observadas variações sazonais do colesterol. Por exemplo, níveis séricos são mais elevados no outono e no inverno e mais baixos no verão e na primavera. Alguns fatores podem interferir, como a postura antes e durante a coleta, estresse emocional e ciclo menstrual. 

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Glicose 

A glicose é essencial para a função do cérebro e dos eritrócitos. O excesso de glicose é armazenado na forma de glicogênio no fígado e nas células musculares. 

A dosagem de glicose no sangue é um dos exames mais solicitados aos laboratórios clínicos e tem como finalidade diagnosticar e acompanhar o tratamento de portadores de algum distúrbio no metabolismo de carboidratos que levem a situações de hipo- ou hiperglicemia. 

Um dos problemas mais freqüentes envolvendo carboidratos é o diabetes mellitus, que pode ser descrito como um grupo de doenças metabólicas de diversas etiologias, caracterizado por hiperglicemia, glicosúria e outras manifestações clínicas decorrentes do comprometimento, principalmente, do sistema vascular e do sistema nervoso, levando a lesões em múltiplos órgãos, em especial olhos, rins e coração. 

A prevalência de diabetes mellitus vem crescendo acentuadamente nos últimos anos. A causa apontada para esse aumento são as mudanças de hábitos de vida ocasionados pela acelerada urbanização, levando a um sedentarismo cada vez maior, alimentação desequilibrada, obesidade e estresse contínuo, que facilitam a manifestação da doença em indivíduos geneticamente predispostos. 
Outro dado importante é o aumento da expectativa de vida média na população, que contribui também para o aumento da prevalência da doença. 

Estudos multicêntricos confirmam o aumento da prevalência e sugerem que os indivíduos obesos apresentam o dobro de risco de desenvolver a doença; já aqueles com parentes diretos diabéticos apresentam risco triplicado. Outro dado importante oriundo desses estudos é que metade dos pacientes que tiveram o diagnóstico de diabetes confirmado desconhecia o fato e que 20% entre os que já conheciam o diagnóstico da doença não faziam nenhum tipo de tratamento. O dado de que metade dos pacientes diabéticos em nosso país convive com a hiperglicemia nos leva a um quadro desalentador, no qual o risco de morbidade e de mortalidade aumenta significativamente por complicações vasculares, renais, neurológicas, oftalmológicas e infecciosas. 

Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Hospital Clementino Fraga Filho, publicado em 1998 na Revista de la Asociación Latinoamericana de Diabetes, demonstrou os resultados do acompanhamento de um grupo de pacientes com diabetes tipo 1, com idade média de 31 anos e tempo de evolução da doença de 10,6 anos. Esses pacientes apresentavam percentuais de 15,4% de retinopatia, nefropatia e hipertensão arterial e de 29,2% de neuropatias. No grupo de pacientes com diabetes tipo 2, com idade média de 59,9 anos e com 10,4 anos de evolução conhecida da doença, 32,6% apresentaram macroangiopatia, 31,1%, neuropatias, 6,8%, nefropatias, 64,7%, hipertensão arterial, e 22,8%, retinopatia. 

Uma nova classificação e novos critérios diagnósticos de diabetes mellitus foram propostos em maio de 2000 pela American Diabetes Association, e endossados pela Organização Mundial de Saúde e pela Sociedade Brasileira de Diabetes. 

A classificação etiológica identifica quatro grupos distintos de diabetes 

  DIABETES TIPO 1
  Auto imunidade e idiopática
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  DIABETES TIPO 2
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  OUTROS TIPOS ESPECÍFICOS
  Defeitos genéticos na ação da insulina, defeitos genéticos da células 
beta, doenças do pâncreas   exócrino, endocrinopatias, induzido por drogas, 
infecções, síndromes genéticas associadas e formas   imunomediadas incomuns. 
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  DIABETES GESTACIONAL
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                Tabela adaptada de Diabetes Melitus - Prof. José Egídio P. 
de Oliveira - Risco                Cardiovalscular Global-Décio Mion Jr. e 
Fernando Nobre -2000 - Editora Lemos 


O diabetes tipo 1 apresenta duas formas clínicas. Uma, imunomediada, representa 90% dos casos e cursa com marcadores imunológicos de destruição das células beta pancreáticas, como os anticorpos antiilhota, antiinsulina e anti-GAD, entre outros. A outra corresponde a 10% dos casos que, por não terem etiologia conhecida, são classificados como idiopáticos. Embora seja a principal endocrinopatia diagnosticada na infância e na juventude, o termo diabetes infanto-juvenil não deve ser utilizado, uma vez que, de forma menos freqüente, pode também manifestar-se na idade adulta. O termo insulino-dependente também foi abandonado, já que qualquer tipo de diabetes pode, em algum momento, levar à dependência em relação à insulina, além de o paciente apresentar labilidade metabólica e grande tendência a cetoacidose e coma. 

O diabetes tipo 2 se caracteriza por resistência periférica à ação da insulina, forte predisposição genética e familiar e deficiência relativa de insulina, que aumenta com a evolução da doença. A maior parte dos pacientes é obeso clássico ou apresenta a cha mada obesidade abdominal, que está associada ao aumento da produção de ácidos graxos livres, levando a um maior aporte hepático e provocando hiperinsulinemia por diminuição da ligação e extração de insulina pelo fígado. Ambos os quadros cursam com a resistência periférica da insulina. A glicemia eleva-se de modo gradual e, durante os estágios iniciais, não induz a sintomas clínicos significativos. Com isso, o paciente permanece sem diagnóstico por muito tempo. 

O diabetes gestacional é definido como uma intolerância à glicose diagnosticada durante a gravidez. A partir da sexta semana após o parto, nova avaliação deve ser realizada para reclassificação do status da paciente. 
Os novos parâmetros diagnósticos para diabetes: 

- quadro clínico de diabetes associado a uma glicemia casual ³ 200 mg/dL;
- glicemia de jejum superior a 126 mg/dL;
- glicemia 2 horas após sobrecarga oral (TTOG) ³ 200 mg/dL. 

A avaliação da dosagem de glicose deve ser confirmada, pelo menos, em duas ocasiões diferentes. O grupo de intolerantes inclui os indivíduos que se afastam da normalidade (faixa de 110 a 125 mg/dL) mas não apresentam alterações suficientes para serem considerados diabéticos. 
Informações adicionais, consultar Curva glicêmica. 

NOVOS CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE DIABETES MELLITUS 
   GLICEMIS DE JEJUM  GLICEMIA CASUAL   TESTE DE  TOLERÂNCIA ORAL À GLICOSE 
(AOS 120 MINUTOS)
 NORMAL até 109 mg/dl  até 139 mg/dl
 INTOLERÂNTE
 (Tolerância Diminuída) intoler6ante em jejum 
entre 110 e 125 mg/dl   Intolerânte à sobrecarga entre 140 e 200 mg/dl 
 DIABETES MELLITUS Acima de 126 mg/dl > ou = 200 mg/dl Acima de 200 mg/dl. 

Mesmo a população aparentemente saudável deve ser submetida a exames, buscando sempre o diagnóstico precoce do diabetes, o que favorece o tratamento. Os casos que devem ser investigados e/ou acompanhados: 
- pacientes obesos,
- obesidade abdominal,
- sedentários,
- parentes de 1o grau de diabéticos,
- história de diabetes gestacional,
- história de macrossomia fetal e abortos de repetição,
- hipertensão arterial sistêmica,
- resultados que indicam tolerância diminuída à glicose,
- níveis aumentados de triglicerídeos e diminuídos de HDL colesterol. 
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Hemograma 

O hemograma contempla diversas provas efetuadas, com a finalidade de avaliar quantitativa e qualitativamente os componentes celulares do sangue. Os itens avaliados incluem: hemácias, hemoglobina, hematócrito, índices hematimétricos, leucócitos totais, contagem diferencial de leucócitos, plaquetas e exame microscópico de esfregaço de sangue corado. 

A análise quantitativa das hemácias, leucócitos totais, plaquetas e a avaliação dos índices hematimétricos são hoje realizados por meio de equipamentos automatizados que combinam diferentes métodos de avaliação de alta tecnologia e precisão à capacidade de análise de milhões de células, permitindo resultados mais precisos. 

A utilização desses equipamentos permite também a avaliação de índices hematológicos e a visualização em histogramas que demonstram a distribuição dos diferentes elementos analisados. 

Essa característica possibilita a identificação de alguns parâmetros antes impossíveis de serem avaliados ou que eram analisados subjetivamente, com a visualização do esfregaço em lâmina. Entre esses parâmetros, temos o índice de anisocitose (RDW), a identificação de populações mistas de células, a anisocitose plaquetária e alertas para possíveis alterações presentes na amostra examinada. Esses alertas são específicos para alterações das séries vermelha, branca e das plaquetas, como presença de blastos, granulócitos imaturos, desvio à esquerda, atipias linfocitárias, grumos plaquetários, microcitose, hipocromia, entre outros. 

Realizam ainda, por uma combinação de métodos de análise celular e coloração, a contagem diferencial de leucócitos, que serve de orientação para o citologista, chamando a atenção para situações nas quais a avaliação deve ser mais cuidadosa. 

A análise qualitativa é realizada pela avaliação da lâmina corada, associada aos resultados obtidos pela avaliação eletrônica. A coloração das células diferencia em detalhes as estruturas nucleares e citoplasmáticas, permitindo a avaliação do tamanho das células, a relação núcleo/citoplasma, a forma do núcleo, a presença de nucléolos, o padrão da cromatina e a coloração do citoplasma, a presença de granulação, vacúolos e outras alterações morfológicas. 

Os resultados auxiliam a identificação de doenças de origem primária ou secundária de características agudas ou crônicas. São utilizados também para acompanhar a evolução de uma varie dade de doenças e para monitorar os efeitos colaterais decorrentes do uso de medicamentos. 

A avaliação eritrocitária pode identificar processos anêmicos, policitêmicos, alterações de forma e tamanho das hemácias. A avaliação leucocitária pode identificar processos inflamatórios, infecciosos, alérgicos, parasitários e leucêmicos. Pode também indicar a presença de elementos anormais e de atipias linfocitárias. A avaliação plaquetária identifica processos de trombocitopenias adquiridas ou hereditárias e trombocitoses 

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Triglicerídeos 

Os triglicerídeos circulantes são provenientes da dieta ( fonte exógena) e do fígado (fonte endógena). Triglicerídeos, ésteres de ácidos graxos de glicerol, representam a maior quantidade de gordura no organismo. Sua função primária é armazenar e providenciar energia para as células. A concentração de triglicerídeos do plasma é dada pelo balanço entre as taxas de entrada e de eliminação dessas moléculas no organismo. As concentrações de triglicerídeos no plasma variam conforme a idade e o sexo. Aumentos moderados ocorrem durante o crescimento e o desenvolvimento. Dosagens de triglicerídeos são usadas para avaliar hiperlipidemias. Altas concentrações podem ocorrer com hipoparatireoidismo, síndrome nefrótica, doenças de depósitos de glicogênio e diabetes mellitus. 

Concentrações extremamente elevadas de triglicerídeos são comumente encontradas em casos de pancreatite aguda. Algumas drogas, como anticoncepcionais orais e estrogênio, podem levar a resultados falsamente elevados. 

O papel dos triglicerídeos no risco de desenvolvimento de doença arterial coronariana tem sido bastante discutido. 

Até agora, os trabalhos apontavam os triglicerídeos não como fatores de risco independentes, mas sim como associados à presença de outros fatores de risco, variando inversamente com os valores de HDL-colesterol e diretamente com os níveis séricos do LDL-colesterol. 

Estudos clínicos e epidemiológicos mais recentes demonstraram que o aumento das concentrações dos níveis de triglicerídeos pode ser considerado um fator de risco independente para aterosclerose. A dificuldade dessa avaliação se deve às diversas partículas ricas em triglicerídeos. 

Cabe lembrar que níveis séricos aumentados de triglicerídeos aumentam a adesividade plaquetária, favorecendo a trombogênese. 

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